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2º Domingo depois de Pentecostes

A fé e a incredulidade



PRÆLEGENDUM (Sl. 13)

Eu confio em teu amor, Senhor;

o meu coração se enche de alegria e satisfação em tua salvação.

Cantarei ao Senhor por todo o bem que me tem feito.

Celebrarei o seu Nome, ó Altíssimo!

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,

Como era no princípio, agora e sempre,

e pelos séculos dos séculos. Amém.



EVANGELHO de Jesus Cristo, segundo São Marcos 6, 1-13

Naqueles dias, Jesus voltou com os seus discípulos para a cidade de Nazaré, onde ele tinha morado. No sábado começou a ensinar na sinagoga. Muitos que o estavam escutando ficaram admirados e perguntaram:

— De onde é que este homem consegue tudo isso? De onde vem a sabedoria dele? Como é que faz esses milagres? Por acaso ele não é o carpinteiro, filho de Maria? Não é irmão de Tiago, José, Judas e Simão? As suas irmãs não moram aqui?

Por isso ficaram desiludidos com ele. Mas Jesus disse:

— Um profeta é respeitado em toda parte, menos na sua terra, entre os seus parentes e na sua própria casa.

Ele não pôde fazer milagres em Nazaré, a não ser curar alguns doentes, pondo as mãos sobre eles. E ficou admirado com a falta de fé que havia ali.

Jesus ensinava nos povoados que havia perto dali. Ele chamou os doze discípulos e os enviou dois a dois, dando-lhes autoridade para expulsar espíritos maus. Deu ordem para não levarem nada na viagem, somente uma bengala para se apoiar. Não deviam levar comida, nem sacola, nem dinheiro. Deviam calçar sandálias e não levar nem uma túnica a mais. Disse ainda:

— Quando vocês entrarem numa cidade, fiquem hospedados na casa em que forem recebidos até saírem daquela cidade. Mas, se em algum lugar as pessoas não quiserem recebê-los, nem ouvi-los, vão embora. E na saída sacudam o pó das suas sandálias, como sinal de protesto contra aquela gente.

Então os discípulos foram e anunciaram que todos deviam se arrepender dos seus pecados. Eles expulsavam muitos demônios e curavam muitos doentes, pondo azeite na cabeça deles.


Glória à Ti, Senhor! Glória à Ti!


"O Envio dos Apóstolos para a Pregação" - Nikolai Pavlovich Shakhovskoy (1900), esboço à óleo sobre papelão para um mosaico encomendado para a Igreja do Salvador sobre o Sangue Derramado,                    em São Petersburgo, Rússia.
"O Envio dos Apóstolos para a Pregação" - Nikolai Pavlovich Shakhovskoy (1900), esboço à óleo sobre papelão para um mosaico encomendado para a Igreja do Salvador sobre o Sangue Derramado, em São Petersburgo, Rússia.

HOMILIA

por Padre Renado Sousa

Fraternidade Ortodoxa São Nicolau

Manaus, AM, 07 de junho de 2026


Irmãos e irmãs em Cristo,


Em nossa caminhada litúrgica, no Tempo após Pentecostes, nossa Igreja nos chama a refletir acerca da esperança que se faz movimento na prática, nas ações, nos milagres e nos ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Hoje, o bem-aventurado evangelista São Marcos nos apresenta Jesus em sua própria terra natal, Nazaré.


Nesse trecho do evangelho, Jesus é chamado de duas coisas: tekton (grego: artesão, carpinteiro, pedreiro, quem realiza trabalhos com as mãos) e “filho de Maria” (cf. Mc 6,3). Claro que as pessoas de Nazaré conheciam Jesus e alguns até lembravam das histórias que envolviam seu nascimento. Como, de repente, aquele vizinho aparece pregando na sinagoga da cidade, e mais, com autoridade?!


Jesus não encontrou uma resposta favorável ali. Ele encontrou a falta de fé, a incredulidade entre seus conterrâneos, vizinhos e parentes. Diz o texto sagrado que o próprio Jesus se admirou dessa incredulidade (cf. Mc 6,6). Ao contemplar essa passagem, pode-se deduzir que, até mesmo os judeus da Galileia, ao norte de Israel e, por isso, distantes do centro religioso de sua religião, esperavam um messias diferente, triunfal e não um deles, filho de artesão e de uma dona-de-casa.


Como alguém assim pode ter tanta sabedoria da religião e das coisas de Deus? Os nazarenos não estavam preparados para ver um dos seus como Messias. A incredulidade dos nazarenos está ligada com a ideia de messias que eles tinham, e é uma incredulidade profundamente decepcionada.


Nas estradas da vida, quantas vezes não nos decepcionamos com as pessoas, sejam conhecidos, sejam estranhos?! Nem por isso devemos perder a fé na humanidade. Na vida e na Igreja, podemos nos decepcionar com Deus e com a Igreja sim, daí podem vir as mágoas, as raivas e, até mesmo a militância contra a religião, mas ainda assim, Deus não deixa de amar e salvar o ser humano.


Não estamos imunes à decepção ou à incredulidade por estarmos dentro da Igreja, por fazer parte dela. Devemos sim ter cuidado com a imagem que construímos de Deus e de Igreja. Ambos existem independente de nossos gostos ou de nossas expectativas.


A outra parte do evangelho de hoje (cf. Mc 6b-13) nos diz que Jesus continua na região da Galileia, mas em povoados vizinhos à Nazaré. Daí, decide enviar os Doze em missão com orientações claras: poder sobre o mal, despojamento material, receber amparo e apoio de possíveis simpatizantes da mensagem que estavam divulgando.


A mensagem consistia em mudar de vida, de consciência, de visão de mundo, ou seja, os Doze foram enviados para convidar as pessoas dos vilarejos vizinhos de Nazaré à uma conversão. E isso implica também na mudança de imagem que temos de Deus e da Igreja e não criarmos expectativas em relação a eles.


O despojamento dos Doze apóstolos (do grego “enviados”), nos ensina também o despojamento de muitas coisas que nos impedem de viver a verdadeira fé. Além das imagens e ideias que podemos construir de Deus, como já foi refletido anteriormente, a verdadeira fé e o despojamento nos pedem de abrir mão, não poucas vezes, de gostos e comodismos que às vezes nos impedem de ser um desses “Doze”.


Que saibamos reconhecer o Messias por meio de uma fé despojada de interesses, de esquemas e de imagens que criamos.


Padre Renato Sousa é presbítero da Fraternidade Ortodoxa São Nicolau - Eparquia da Igreja Ortodoxa da Gália para o Brasil, em Manaus/AM, professor, filósofo, teólogo, especialista em cristologia.





ORAÇÃO

(da Coleta, da Divina Liturgia Galicana)


Ó Deus,

que instruístes os corações dos vossos fiéis

com a luz do Espírito Santo,

concedei-nos, nesse mesmo Espírito,

conhecer e saborear tudo o que é bom

e encontrar uma alegria incessante nas consolações que Ele nos dá.

Pedimos-Te por Jesus Cristo, vosso Filho, nosso Senhor,

que vive e reina contigo e com o Espírito Santo,

um só Deus, pelos séculos dos séculos. Amém.





📜 PROMULGAÇÃO DE DECRETO EPISCOPAL


Amados irmãos e irmãs da Fraternidade Ortodoxa São Nicolau,


Compartilhamos com alegria o Decreto Episcopal Nº 05 – 06/2026, promulgado por nosso Bispo Eparca, Mons. Jonas.


A partir deste mês, visando estreitar os laços espirituais com nosso patrono e expressar a riqueza e a unidade da nossa Tradição, todo primeiro domingo de cada mês será pastoral e liturgicamente dedicado à comemoração de São Nicolau de Mira em nosso território eparquial.


Convidamos o clero e todos os fiéis à leitura atenta do documento oficial em anexo para compreender as orientações e as inserções na Divina Liturgia Galicana (o Antigo Rito da Gália, de São Germano de Paris).


Para que nos cumule de sua graça por intercessão de nossa Senhora, a Santa Mãe de Deus e sempre Virgem Maria, de São João Batista, o Precursor, de São Miguel Arcanjo e de todos os anjos, dos apóstolos, mártires e confessores, de São Nicolau de Mira, bispo e modelo de pastores, padroeiro e guia de nossa Fraternidade, dos santos cuja memória hoje celebramos, e de todos os santos, supliquemos ao Senhor!

Concede, ó Senhor!



 
 
 

1 comentário


bhcesarino
bhcesarino
08 de jun.

Excelente! Louvado seja o Cristo!


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