9º Domingo depois de Pentecostes
- Fraternidade São Nicolau

- 26 de jul.
- 5 min de leitura
A Ovelha Perdida e Encontrada
PRÆLEGENDUM (Sl. 118, 67.176)
Antes de ser atormentado, errei,
mas agora guardo a tua palavra.
Desviei-me como uma ovelha perdida.
Busque o seu servo, Senhor,
pois não esqueci os seus mandamentos.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,
Como era no princípio, agora e sempre,
e pelos séculos dos séculos. Amém.
EVANGELHO de Jesus Cristo, segundo São Lucas 15, 1-10
Naqueles dias, aproximavam-se de Jesus os publicanos e os pecadores para o ouvir.
Os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: "Este recebe os pecadores, e come com eles."
Então propôs-lhes esta parábola:
"Qual de vós, tendo cem ovelhas, se perde uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto, para ir procurar a que se tinha perdido, até que a encontre? E, tendo-a encontrado, a põe sobre os ombros todo contente, e, indo para casa, chama os seus amigos e vizinhos, dizendo-Ihes: Congratulai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha, que se tinha perdido.
Digo-vos que, do mesmo modo, haverá maior júbilo no céu por um pecador que fizer penitência, que por noventa e nove justos que não têm necessidade de penitência.
Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas, e perdendo uma, não acende a candeia, não varre a casa, e não procura diligentemente até que a encontre?
E que, depois de a achar, não convoca as amigas e vizinhas, dizendo: "Congratulai-vos comigo, porque encontrei a dracma que tinha perdido.
Assim vos digo eu que haverá júbilo entre os anjos de Deus por um só pecador que faça penitência."
Glória à Ti, Senhor! Glória à Ti!

HOMILIA
Mons. Jonas, exarca para o Brasil
Manaus, 26 jul. 2026
Queridos irmãos e irmãs,
Hoje, o Santo Evangelho e as leituras bíblicas abrem diante de nós uma das imagens mais ternas, belas e reconfortantes de toda a Revelação: o mistério do Deus que não nos abandona, do Pastor que sai ao nosso encontro.
Nas palavras do profeta Ezequiel, escutamos o próprio Criador declarar: “Eu mesmo procurarei as minhas ovelhas e cuidarei delas” (Ez 34, 11). E no Evangelho de São Lucas, Cristo nos mostra a dinâmica do Céu: um Pastor que deixa as noventa e nove no campo para ir atrás daquela única ovelha que se perdeu. E quando a encontra, Ele não a castiga, não a arrasta com dureza, nem a repreende. Ele a coloca nos ombros com alegria e convoca os amigos para celebrar!
Como cantamos no Salmo 22 (23): “O Senhor é o meu pastor; nada me faltará.” Os santos Padres do Deserto, que dedicaram suas vidas no silêncio para compreender as profundezas da alma humana, nos ensinam uma lição preciosa sobre esse Salmo e sobre a ovelha perdida. Abba Macário, o Grande, costumava dizer que a alma humana é de um valor incalculável para Deus. Quando nos afastamos do caminho, o Senhor não nos olha com ira, mas com compaixão amorosa.
Na sabedoria dos Padres, a ovelha não se perde necessariamente por maldade deliberada; muitas vezes, ela se perde por distração. Ela vê uma erva um pouco mais verde ao lado, dá um passo; depois outro passo para ver uma flor; e quando percebe, ergue a cabeça e já não escuta mais a voz do Pastor nem vê o rebanho.
Como isso se parece com a nossa vida moderna, meus irmãos! Quantas vezes nos perdemos não porque queremos rejeitar a Deus, mas porque fomos tragados pelas distrações da rotina da vida. A gente se perde na ansiedade do trabalho diário, no excesso de telas e notificações, na busca desenfreada por segurança financeira, ou nas preocupações de uma rotina exaustiva de compromissos. E, de repente, nos sentimos sozinhos, cansados e feridos no meio do caminho, nos perguntando como fomos parar tão longe da paz.
É aqui que a carta de São Pedro nos ilumina: “Lançai sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós” (1P 5, 7).
Os Padres do Deserto nos ensinam que o momento em que a ovelha se percebe perdida é, na verdade, o início da sua salvação. No deserto espiritual da vida, quando você sentir que suas forças se esgotaram, quando o cansaço do corpo e da mente parecer maior do que a sua fé, não se desespere. O segredo da hesychia (da quietude interior) não é tentar correr desesperadamente de volta ao curral com as próprias forças, mas parar e clamar pelo Pastor!
O que significa a ovelha nos ombros de Cristo? Significa que a vida cristã e a nossa restauração não dependem da nossa capacidade de caminhar perfeitos o tempo todo, mas da nossa disposição em nos deixarmos carregar por Ele. Quando você aceita o perdão de Deus, quando abre o coração na oração sincera em meio ao seu dia de trabalho, no meio do desespero, no meio da insegurança... você está se deixando colocar nos ombros de Cristo.
Ele é o Pastor que restaura a nossa alma e nos guia pelas veredas da justiça (Sl 22, 3). Ele transforma as nossas angústias em paz, as nossas feridas em testemunho de graça, e a nossa sensação de isolamento em uma profunda festa de comunhão. É aqui que eu lembro do meu lema de sagração episcopal: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mt. 11, 28-30).
Portanto, meus amados irmãos e irmãs, saiam desta Divina Liturgia com o coração elevado e cheio de confiança! Nenhuma ansiedade de sua semana, nenhum erro do passado e nenhuma incerteza do futuro pode afastar você do amor deste Pastor. Se você se sentia cansado ou desorientado ao entrar por estas portas, saiba que hoje o Céu celebra o seu reencontro com a Graça.
Caminhem com alegria, certos de que a bondade e a misericórdia do Senhor os acompanharão todos os dias de suas vidas, e nós habitaremos na casa do Senhor por longos dias.
A Ele seja o louvor, a honra e a glória pelos séculos dos séculos. Amém!

É verdadeiramente digno e justo, equitativo e salutar, dar graças a Vós
em todos os momentos e em todos os lugares,
ó Deus inacessível, incompreensível, indefinível, invisível e imutável,
Pai santo, Deus todo-poderoso e eterno.
Os anjos o servem fielmente, mas o homem se afasta de sua vontade,
com fome e sede, longe de sua face.
Ó Pai, de ternura e perdão, vendo o homem perdido,
o Senhor se apressa em encontrá-lo e envia sua Palavra à Terra.
Homem entre os homens, Ele toma a humanidade em Seus ombros,
envolve-a no amor de Seu Espírito, une-a às virtudes celestiais e a eleva ao Seu reino.
Os mundos visível e invisível ficam atônitos
ao ver glorificado e carregado acima dos Serafins e Querubins
Aquele que salta do túmulo e das profundezas do Hades,
o Filho do Homem ressuscitado dentre os mortos,
levando consigo nossa humanidade glorificada.
E vós, ó Pai, respondeis: “Alegrem-se, todos vocês, meus amigos fiéis,
alegrem-se, pois encontrei minhas ovelhas perdidas
e as trouxe para mim pela graça do meu Espírito”.
E nós, suas ovelhas sensatas, reunidas em sua Igreja em torno do Bom Pastor,
unimos nossas vozes às de seus espíritos incorpóreos,
proclamamos seu Nome com jubilosa alegria e cantamos:
Santo, Santo, Santo, Senhor, Deus do universo!
O céu e a terra proclamam a tua glória.
Hosana nas alturas!
Bendito o que vem em nome do Senhor!
Hosana nas alturas!




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