A fé viva da Igreja

O Grupo de Estudos da Escola de Filocalia se reuniu virtualmente no último domingo, 27/06, como vem fazendo quinzenalmente, para mergulhar nos temas da fé cristã ortodoxa.


Dando continuidade ao tópico iniciado no encontro anterior, aprofundamos o Capítulo 4: Dogma e Heresia (Os limites da experiência; Apofatismo; Linguagem iconológica; Filosofia grega e experiência cristã), do livro "A fé viva da Igreja", do filósofo e teólogo ortodoxo grego, Christos Yanarras.


A condução do estudo foi feita pelo nosso Irmão Felipe de Salvador, teólogo, professor, pesquisador e seminarista de nossa Igreja. Tivemos a presença de irmãos e irmãs de Manaus, de Salvador e do Rio de Janeiro, que se uniram para rezar, estudar e fazer comunhão.


📖 Acompanhe um trecho do capítulo estudado, sobre Dogma e Heresia:


Todavia, nós sabemos que a Igreja tem também seus princípios teóricos, os "dogmas da fé", como são chamados hoje em dia. Será que isto não se opõe a tudo o que acabamos de dizer?

Vejamos as coisas desde a sua origem histórica. É evidente que durante os três séculos da sua história, a Igreja não pôde apresentar as formulações teóricas da sua verdade, dogmas que definem a sua fé. Ela vive a sua verdade de maneira experimental, aquilo que sua verdade é, é vivido pelos membros do seu corpo de maneira imediata e total, sem elaborações teóricas. Em todo caso, há uma linguagem em que se expressa a experiência eclesial - termos, expressões, linguagens -, uma linguagem modelada já nas primeiras décadas da era cristã. É a língua dos evangelhos, das epístolas apostólicas, dos textos que os bispos dos primeiros séculos compõem para orientar e dirigir o corpo dos fiéis. Todavia, esta língua não leva nem a representações teóricas nem a formulações sentenciosas. Ela apenas exprime, evidencia, a certeza vivida.

O que atualmente nós chamamos um dogma, aparece somente quando a experiência da verdade eclesial é ameaçada pela heresia. A palavra heresia significa a escolha, a seleção e a preferência de uma parte da verdade inteira, da verdade "católica". A heresia é o contrário da catolicidade. Os heréticos erigem em absoluto um único aspecto da certeza vívida da Igreja, relativizando assim todos os outros aspectos. O processo desta absolutização é sempre intelectual; é uma preferência (escolha) teórica que, de ordinário, simplifica e esquematiza a compreensão da verdade eclesial.

A Igreja reage diante das heresias marcando os limites da sua verdade, isto é, colocando os limites da sua experiência vivida. É bem característico que o primeiro nome que foi dado ao que nós chamamos dogma, tenha sido o de termo (horos), isto é, um limite, uma fronteira da verdade (terminus em latim). Os "dogmas" atuais são os termos dos concílios ecumênicos, essas decisões teóricas que formulam a verdade da Igreja marcando um limite que separa esta verdade da sua deformação pela heresia.

(YANARRAS, Christos. A fé viva da Igreja: Introdução à Teologia Ortodoxa. Curitiba: Edition du Cerf, 1997, p. 34-35).


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Nosso Grupo de Estudos é uma programação da Escola de Filocalia, e acontece em domingos alternados (quinzenalmente), sempre às 17h (Manaus) e 18h (Brasília), por meio do Google Meet.


Para participar, receber o texto de estudo e o link de acesso, basta se inscrever clicando aqui.


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