"Peçam e receberão para que a alegria de vocês seja completa"

Reflexão do 5º Domingo após a Páscoa


📖 Leitura do Evangelho de Jesus Cristo, segundo São João 16, 16-30


Naqueles dias, disse Jesus:

— Daqui a pouco vocês não vão me ver mais; porém, pouco depois, vão me ver novamente.

Alguns dos seus discípulos comentaram:

— O que será que ele quer dizer? Ele afirma: “Daqui a pouco vocês não vão me ver mais; porém, pouco depois, vão me ver novamente”. E diz também: “É porque vou para o meu Pai”. O que quer dizer “pouco depois”? Não entendemos o que isso quer dizer.

Jesus, sabendo que eles queriam lhe fazer perguntas, disse:

— Eu afirmei que daqui a pouco vocês não vão me ver mais e que pouco depois vão me ver novamente. Por acaso não é a respeito disso que vocês estão fazendo perguntas uns aos outros? Pois eu afirmo a vocês que isto é verdade: vocês vão chorar e ficar tristes, mas as pessoas do mundo ficarão alegres. Vocês ficarão tristes, mas essa tristeza virará alegria. Quando uma mulher está para dar à luz, ela fica triste porque chegou a sua hora de sofrer. Mas, depois que a criança nasce, a mulher fica tão alegre, que nem lembra mais do seu sofrimento. Assim acontece também com vocês: agora estão tristes, mas eu os verei novamente. Aí vocês ficarão cheios de alegria, e ninguém poderá tirar essa alegria de vocês.

Quando chegar aquele dia, vocês não me pedirão nada. E eu afirmo a vocês que isto é verdade: se vocês pedirem ao Pai alguma coisa em meu nome, ele lhes dará. Até agora vocês não pediram nada em meu nome; peçam e receberão para que a alegria de vocês seja completa.

E Jesus terminou, dizendo:

— Eu digo essas coisas a vocês por meio de comparações. Mas chegará o tempo em que não falarei mais por meio de comparações, pois falarei claramente a vocês a respeito do Pai. Naquele dia vocês pedirão coisas em meu nome. E eu digo que não precisarei pedir ao Pai em favor de vocês, pois o próprio Pai os ama. Ele os ama porque vocês, de fato, me amam e creem que vim de Deus. Eu vim do Pai e entrei no mundo. E agora deixo o mundo e vou para o Pai.

Então os seus discípulos disseram:

— Agora, sim, o senhor está falando claramente e não por meio de comparações. Sabemos agora que o senhor conhece tudo e não precisa que ninguém lhe faça perguntas. Por isso nós cremos que o senhor veio de Deus.


Glória a Ti, Senhor! Glória a Ti!


O poder do Nome de Jesus

Reflexão do Monsenhor Kallistos Ware, Bispo de Diokleia


O Nome do Filho de Deus é grande e sem limites e sustenta todo o universo.” Assim é afirmado no Pastor de Hermas, e não apreciaremos o papel da Oração de Jesus na espiritualidade ortodoxa sem que tenhamos alguma intuição do poder intrínseco e da força do Nome divino.

Se a Oração de Jesus é mais eficaz do que outras invocações, é porque contém o Nome de Deus.


No Antigo Testamento como em outras culturas antigas, existe uma identidade efetiva entre a alma do homem e o seu nome. Toda a sua personalidade, com todas as suas peculiaridades e toda a sua energia, está presente em seu nome.

Saber o nome de uma pessoa é ter uma intuição precisa de sua natureza e, assim, desenvolver uma relação sólida com ela ter até, talvez, algum controle sobre ela.

É por isso que o misterioso mensageiro que luta com Jacó se recusa a revelar seu nome (Gn 32,29). A mesma atitude se reflete na resposta do anjo a Manoá: “Por que me perguntas o meu nome, sabendo que é secreto?” (Jz 13,18).

Uma mudança de nome indica uma mudança decisiva na vida de uma pessoa, como quando Abrão se torna Abraão (Gn 17,5), ou quando Jacó se torna Israel (Gn 32,28).

Da mesma forma, Saulo após sua conversão se torna Paulo (At 13,9); e um monge em sua profissão religiosa recebe um novo nome (onomástico), geralmente não escolhido por ele, para indicar a renovação radical na qual está engajado.


Na tradição hebraica, fazer algo em nome de outra pessoa, ou invocar e recomendar seu nome, são atos de extrema força e peso. Invocar o nome de uma pessoa é torná-la efetivamente presente. É por isso que há um significado tão profundo na própria menção do nome.


Tudo o que é verdade sobre os nomes humanos é verdade em um grau incomparavelmente mais alto sobre o Nome divino. O poder e a glória de Deus estão presentes e ativos em Seu nome. O Nome de Deus é numen praesens, Deus conosco, Emmanuel.

Invocar o Nome de Deus com respeito e piedade, é colocar-se na Sua presença, abrir-se à Sua energia, oferecer-se como instrumento e sacrifício vivo nas Suas mãos. Tão ardente era o significado da majestade do Nome de Deus no judaísmo tardio, que o "tetragrama" não era pronunciado em voz alta no serviço da sinagoga: o Nome do Altíssimo era considerado poderoso demais para ser pronunciado.


Esta compreensão hebraica do Nome vai do Antigo Testamento para o Novo.

Demônios são expulsos e pessoas curadas pelo Nome de Jesus, pois o Nome é poder.

Uma vez que este poder do Nome é apreciado com precisão, muitos textos familiares adquirem um significado mais completo e forte: como o pedido na Oração do Senhor, "Santificado seja o Teu Nome"; a promessa de Cristo na última ceia: "se vocês pedirem ao Pai alguma coisa em meu nome, ele lhes dará" (Jo 16,23); sua ordem final aos apóstolos: "Ide, pois, ensinar todas as nações, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" (Mt 28,19); a proclamação de São Pedro dizendo que não há salvação senão no "Nome de Jesus Cristo de Nazaré" (At 4,10-12); as palavras de São Paulo: "Ao Nome de Jesus todos os joelhos se dobrem" (Fl 2,10); o nome novo e secreto escrito na pedra branca que nos é dada para os tempos que virão (Ap 2,17).


É essa reverência bíblica pelo Nome que forma a base e o fundamento da Oração de Jesus. O Nome de Deus está essencialmente ligado à sua pessoa e, portanto, a invocação do Nome divino tem um caráter sacramental autêntico, servindo como sinal eficaz da sua presença e da sua ação invisível.

Para o crente cristão hoje, como nos tempos apostólicos, o Nome de Jesus é poder.

Nas palavras dos dois Anciãos de Gaza, São Barsanuphe e São João (século VI), “a memória do Nome de Deus destrói inteiramente oque é mau. “Castigai os vossos inimigos com o Nome de Jesus", exorta-nos São João Clímaco, "pois já não existem armas poderosas no céu e na terra... Que a memória de Jesus esteja associada a cada respiração e assim você saberá o valor da tranquilidade".


O Nome é poder, mas uma repetição puramente mecânica não terá nenhum efeito por si mesma. A oração de Jesus não é um talismã mágico.

Como em todas as operações sacramentais, a cooperação do homem com Deus é exigida por meio de sua fé ativa e de seu esforço de ascetismo.

Somos chamados a invocar o Nome com recolhimento e vigilância interior, encerrando o nosso pensamento nas palavras da Oração, sabendo a quem nos dirigimos e quem nos responde no nosso coração. Essa oração árdua nunca é fácil no estágio inicial, e é corretamente descrita pelos Padres como um martírio oculto.

São Gregório do Sinai fala muitas vezes da "restrição e do labor" dos que seguem o caminho do Nome; "um esforço contínuo" é necessário; eles serão tentados a desistir "por causa do sofrimento persistente que vem da invocação interior do espírito".

Seus ombros doerão e sua cabeça ficará dolorida com frequência”, ele avisa, “mas persevere com firmeza e determinação, buscando ao Senhor em seu coração".


É somente por meio dessa fidelidade paciente que descobriremos o verdadeiro poder do Nome". Esta fidelidade perseverante assume a forma, antes de tudo, de uma repetição cuidadosa e frequente.

Cristo diz aos seus discípulos para não usarem "repetições vazias" (Mt 6,7), mas a repetição da Oração de Jesus, quando feita com sinceridade e concentração interiores, não é de forma alguma "em vão". O ato da repetição incessante do Nome tem um duplo efeito: unifica mais a nossa oração e ao mesmo tempo a torna mais interior.


Digamos juntos: "Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tem piedade de mim, pecador".


🙌🏽 Oração

Sê tu, ó Deus, nosso mestre interior, guia-nos no caminho da justiça e, dando-nos o desejo de uma vida mais perfeita, faz com que a graça do mistério pascal permaneça em nós. Por Jesus Cristo, vosso Filho, nosso Senhor e nosso Deus, que vive e reina convosco, na unidade do Espírito Santo, pelos séculos dos séculos. Amém.



Fonte:

WARE, Kallistos. La puissance du Nom: la prière de Jésus dans la spiritualité orthodoxe. Traduzido do inglês pela irmã Marie-Véronique Vastel. Paris: Éditions du Cerf, 1989.


Ícone: "Cristo em Glória", escrito por Alain Chenal. Disponível em: http://iconesalain.free.fr/Presentations/32.Christ.en.gloire.de.Vezelay.Presentation.htm


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