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A IGREJA ORTODOXA DA GÁLIA

Quem somos nós ?
Quais são os nossos fundamentos?
Qual é o nosso projeto?

Foto do altar na sede de nossa Igreja e residência episcopal no Monastério de Saint Michel de Bois Aubry, Luzé 37120 - Richelieu, França. 

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É útil esclarecer o que somos, de onde viemos e para onde vamos.

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Em primeiro lugar, não somos uma nova criação religiosa, não somos uma "seita". Somos membros da Igreja Ortodoxa, mais precisamente da Igreja Ortodoxa da Gália que está em plena comunhão com a Igreja Ortodoxa Celta (da França) e a Igreja Ortodoxa Francesa e, em comunhão de fé com todas as Igrejas Ortodoxas.

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Somos ortodoxos, isto é, professamos a fé cristã expressa nos escritos dos Apóstolos e dos Santos Padres, nos símbolos da fé e nos cânones dos Concílios Ecumênicos de toda a Igreja, em toda a tradição ascética e litúrgica da antiga Igreja indivisa. Equidistante do individualismo e do autoritarismo, a Igreja Ortodoxa é uma Igreja de tradição e de liberdade. Antes de tudo, ela quer ser uma Igreja de amor. Não por uma força externa, nem por esforços isolados, mas apenas pela graça divina e pela caridade fraterna que apoia-se para nos manter unidos e vivificar os membros do Corpo Místico de Cristo.

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Não fazemos proselitismo. Respeitamos e amamos todos os nossos irmãos em Cristo. Longe de pensar em luta ou competição, apelamos à colaboração, sempre que possível, para pregar o Evangelho de Jesus Cristo ao nosso mundo sedento e desamparado.

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Lamentamos que a unidade da cristandade tenha sido quebrada e oramos a Deus que apresse sua restauração para que o mundo nos reconheça como seus discípulos no amor que temos uns pelos outros. 

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Sentimo-nos ligados à antiga tradição "ortodoxa" da Europa Ocidental que na época era chamada de Gauleses, à Europa de séculos onde Oriente e Ocidente não eram separados.

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Santo Irineu no século II foi o primeiro grande elo entre o Oriente e o Ocidente, mas o Ocidente também se beneficiou da influência de São João Cassiano, um monge que viveu por muito tempo em Belém e nos desertos de Tebaida e de Scété onde recebeu e experimentou a Tradição dos Padres do Deserto, e que erigiu dois mosteiros em Marselha segundo o modelo dos egípcios. O seu exemplo e os seus escritos fertilizaram todo o monaquismo ocidental, desde o monaquismo provençal das ilhas Lérins e dos Padres do Jura até à grande tradição beneditina que continua até hoje.

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Santo Atanásio, Patriarca de Alexandria e defensor da fé no Concílio de Nicéia, que foi exilado pelo Imperador Romano em Treves, uma das grandes metrópoles da Gália, foi recebido de braços abertos pelo bispo local e foi a pedido dos monges do Ocidente que escreveu a "Vida de Santo Antônio", modelo de todo monaquismo cristão hoje em dia.

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Os mártires de Lyon e Vienne, São Dionísio, Santo Hilário de Poitiers, São Martinho de Tours, São Honorato, Santa Geneviève, Santa Radegunda e muitos outros... estes são também alguns dos grandes nomes da terra da Gália com o qual queremos nos relacionar. Mas também nos sentimos muito próximos de Santa Joana D'Arc, Pascal, São Vicente de Paulo ou Santa Teresinha de Lisieux, e com o muito recente Padre do Deserto do Magreb, Charles de Foucault.

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Tudo o que o coração e a inteligência da Europa Ocidental de ontem e de hoje criam de bom e grande, queremos sentir nosso, consagrar a Cristo, olhar ortodoxamente.

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Por mais de dez séculos, o Ocidente cristão tem estado em comunhão de fé com o Oriente cristão, apesar dos incidentes e contendas temporárias que conhecemos em todas as "famílias". Então foi uma longa separação (8 séculos) que gradualmente se tornou uma grande ignorância mútua.

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A emigração russa no início do século XX lembrou a existência da Ortodoxia, ou seja, de um cristianismo próximo às origens, no Ocidente. Ele também encontrou a aspiração de certos ocidentais de redescobrir esta Igreja do primeiro milênio, esta Igreja indivisa, em sua fé viva e experimental, nos esplendores de sua liturgia ocidental e em sua capacidade de liberdade em Deus, livre de acréscimos e sedimentações que os séculos e o espírito racionalizador havia se depositado durante o último milênio.

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Este encontro produziu o ressurgimento da Ortodoxia Ocidental. Não somos os primeiros ocidentais a tentar viver a ortodoxia na contemporaneidade. Em 1929 foi criada uma primeira paróquia dentro da Igreja Ortodoxa Russa com esse mesmo projeto e com um padre francês, o padre Lev Gillet, cujos livros são assinados como "um monge da Igreja Oriental".

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Um pouco mais tarde, em 1936, a tocha foi levada com a ajuda do Padre Lev pelo Bispo Irénée Winnaert e sua paróquia, ainda no âmbito da Igreja Ortodoxa Russa e, em seguida, pelo Padre Eugraph Kovalevsky que deu corpo ao projeto e à experiência de uma ortodoxia ocidental, restaurando a antiga liturgia ocidental da Gália Ortodoxa das cartas de São Germano de Paris e criando muitas paróquias, unificadas em uma diocese da qual ele era bispo sob o nome de Jean de Saint-Denis de 1964 a 1970. 

Após sua morte, foi dentro da Igreja Ortodoxa Romena que suas comunidades foram bem-vindas em sua especificidade como Ortodoxia Ocidental (isto é, com sua antiga liturgia dos Gauleses) sob a liderança do Bispo Germain de Saint-Denis, consagrado em 1972 pela Igreja Ortodoxa Romena.

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As grandes dificuldades de compreender que o mundo bizantino e eslavo da Diáspora se manifestou face à experiência da Ortodoxia Ocidental, bem como as dificuldades internas, conduziram a fortes pressões eclesiais sobre a Igreja romena e provocaram um fenômeno de explosão. Alguns partiram para as dioceses romena, depois sérvia ou copta... na esperança de continuar o trabalho da ortodoxia ocidental lá.

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Mas os descendentes de imigrantes da Rússia, Grécia, dos Bálcãs e seus clérigos tiveram, e ainda têm, grande dificuldade em entender que se pode confessar a fé ortodoxa e ser ocidental. Muitas vezes confundem fé e cultura e querem impor uma à outra.

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A hierarquia católica romana, por sua vez, nem sempre vê com bons olhos essas comunidades cristãs, que são ao mesmo tempo muito antigas e, no entanto, muito novas: sua própria presença parece desafiar os discursos "religiosamente corretos".

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Durante 70 anos, homens e mulheres tentaram restaurar, apesar de muitas dificuldades, esta Igreja dos nossos pais na Europa descristianizada e secularizada: uma Igreja que professa a fé e o entusiasmo das origens, que celebra a antiga liturgia dos gauleses, que deu à luz o gênio da nossa cultura múltipla (grego, latim, gaulês, merovíngio...) antes que a padronização eclesial fosse imposta pelo Papa de Roma.

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Mas, eventualmente, depois de alguns anos, as Igrejas Ortodoxas Orientais tentaram aniquilar o plano de restaurar a Ortodoxia Ocidental. Os ortodoxos ocidentais perceberam com o tempo e através das dificuldades que não podiam esperar ajuda das pessoas, exceto de Deus e de si próprios.

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Além disso, diante desta observação, decidimos nos unir dentro da Igreja Ortodoxa da Gália, não mais dependente hierarquicamente das Igrejas Ortodoxas Orientais, embora as reconhecendo como Igrejas Irmãs na fé e mantendo nossa mão estendida para eles.

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Não estamos sozinhos, já que formamos, com a Igreja Ortodoxa Celta (da França) e a Igreja Ortodoxa Francesa, uma comunhão de Igrejas Ortodoxas Ocidentais. 

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Compartilhando a mesma fé, mas abandonando o caráter muitas vezes autoritário e conservador das estruturas da Igreja como as conhecemos, queremos estabelecer entre nós relações de amor e respeito, colaboração e solidariedade.

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Neste novo cenário, nos reunimos no Leste da França, em Gorze, Moselle, em 17 de dezembro de 2006, cerca de quatro bispos ortodoxos ocidentais para consagrar o Padre Michel Mendez, até então abade do mosteiro ortodoxo de São Miguel de Bois-Aubry, en Touraine, bispo da Igreja Ortodoxa da Gália com o nome de Gregório.

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Esta Igreja Ortodoxa da Gália, tão antiga na sua história e tão jovem no seu ressurgimento, é por ora formada por pequenas comunidades paroquiais na França, na Bélgica, no Reino Unido, na Espanha, na Polônia, nos EUA, e recentemente no Brasil. Oferece aos ocidentais que desejam viver a fé cristã na fidelidade às fontes do cristianismo, na mesma fé dos Apóstolos, dos Padres e Mães do Deserto, do misticismo ortodoxo, sem esquecer que vivemos no século XXI.

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Reunindo fé ortodoxa e cultura ocidental, tradição e modernidade, nossa Igreja oferece novas formas de viver a sempre atual mensagem de Cristo neste mundo em busca de amor e profundidade, unidade e diversidade, compartilhando a visão original do cristianismo no mundo e no homem para enfrentar os grandes desafios da nossa civilização pós-moderna.

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Claro, atualmente somos apenas uma pequena minoria. Pelo menos essa minoria deve ser uma verdadeira força espiritual e isso depende de cada um. “O grão de mostarda é a menor de todas as sementes”, diz o Evangelho (Mateus 13,32). Mas o Evangelho acrescenta que o grão de mostarda pode se tornar uma árvore onde as aves do céu se aninham.

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Deus vai querer fazer crescer nosso grão de mostarda? Nós não sabemos. O que sabemos é que devemos trabalhar para nos tornar menos indignos de tal crescimento. Sem nos opormos aos outros, sem nos colocarmos à frente, devemos buscar o Reino de Deus com humildade e caridade. Devemos nos empenhar para que, aos olhos de quem descobre a ortodoxia em nós, esta palavra se torne sinônimo de duas grandes coisas: acreditar em Jesus Cristo, viver em Jesus Cristo.

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Este rápido lembrete dos fundamentos de nossas comunidades e da história da nossa Igreja irá, esperamos, nos permitir entender melhor por que e como somos ortodoxos e ocidentais.

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Tradução: Bispo Jonas

 

Fonte: Qui sommes nous? Eglise Orthodoxe des Gaules, 17 décembre 2006.

Disponível em: http://www.eglise-orthodoxe.eu/pdf/eglise_orthodoxe_gaules_expose.pdf. Acesso em 20 abr. 2020. 

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Para conhecer a Comunhão das Igrejas Ortodoxas Ocidentais:

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SOBRE A IGREJA

“Nenhum concílio ecumênico, nem o patriarcado de Constantinopla ou de Moscou, nem qualquer outra Igreja-mãe pode criar uma nova Igreja local. O máximo que podem fazer é reconhecer tal Igreja. Mas o ato de criação deve ser realizado localmente. As autoridades superiores podem orientar, confirmar e proclamar. Mas o trabalho criativo só pode realizar-se a nível local, mediante células eucarísticas viventes, chamadas a constituir gradualmente o corpo de uma nova Igreja local"

- Bispo Kallistos Ware.

SOP 302, Nov 2005, pronunciamento no

Instit. de Théologie St. Serge em Paris.

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SOBRE NÓS

Somos uma comunidade brasileira da Igreja Ortodoxa da Gália e participamos na restauração da ortodoxia ocidental, da Igreja indivisa: una, santa, católica e apostólica. 

ONDE NOS ENCONTRAR?

Fraternidade Ortodoxa São Nicolau

Manaus/AM

fraternidadesaonicolau@gmail.com

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