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1º Domingo depois de Pentecostes

A Santíssima Trindade



PRAELEGENDUM (Sl. 33, 5-6; 47,1)

A terra está cheia da misericórdia do Senhor:

Pela palavra do Senhor foram feitos os céus,

e os corpos celestes, pelo sopro de sua boca.

Vós todos, povos, batam palmas

e aclamem a Deus com gritos de alegria.

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo,

agora e sempre, pelos séculos dos séculos. Amém.



HINO (De la Sainte Trinité)

Vinde, povos,

adoremos a divindade em Três Pessoas:

o Pai no Filho com o Espírito Santo.


O Pai, desde toda a eternidade,

gera o Filho, eterno e rei,

e o Espírito Santo está no Pai

glorificado com o Filho,

um só poder, uma só substância, uma só divindade.


É a ele que adoramos, dizendo:

Santo Deus, que criou tudo por meio do Filho

com a ajuda do Espírito Santo,

Santo Forte, por meio do qual conhecemos o Pai

e por meio do qual o Espírito Santo veio ao mundo,

Santo Imortal, Espírito consolador que procede do Pai

e repousa no Filho.

Santíssima Trindade, glória a Ti!



📖 EVANGELHO de Jesus Cristo, segundo São Mateus 28, 16-20

Naqueles dias, os onze discípulos partiram para a Galileia, para o monte que Jesus lhes tinha indicado. Quando o viram, adoraram-no eles que a princípio tinham duvidado. Jesus, aproximando-se, falou-lhes assim: "Foi-me dado todo o poder no céu e na terra. Ide, pois, ensinai todas as gentes, baptizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, ensinando-as a observar todas as coisas que vos mandei. Eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo.


Glória à Ti, Senhor! Glória à Ti!


Ícone da Santíssima Trindade, por Andrei Rublev no século XV.
Ícone da Santíssima Trindade, por Andrei Rublev no século XV.


HOMILIA

Mons. Jonas, bispo eparca

31 de maio de 2026


Meus irmãos e irmãs, hoje celebramos o mistério que é a fonte, o sustento e o destino de nossas vidas: a Santíssima Trindade. Olhando para as escrituras deste dia e contemplando este belíssimo ícone que hoje adorna a nossa liturgia, percebemos que Deus não se revela a nós como um conceito abstrato ou uma fórmula teórica, mas como um Deus que caminha, que visita, que se senta à mesa e que nos convida a entrar na Sua intimidade.


No livro do Gênesis (18, 1-15), vemos Abraão sentado à porta de sua tenda no maior calor do dia. De repente, ele vê três homens de pé diante dele. Abraão não faz perguntas teológicas; ele corre, inclina-se até o chão e oferece o melhor que tem: água para lavar os pés, a sombra da árvore e um banquete. Aquela cena misteriosa no Carvalho de Mamre é a primeira imagem velada da Trindade na história: Deus que se apresenta como três Peregrinos para se sentar à mesa com o homem.


Se olharmos para o nosso ícone, vemos essa cena transfigurada. Atrás dos três anjos, os elementos do cenário de Gênesis ganham o seu verdadeiro sentido na economia da salvação. À esquerda, atrás do Pai, vemos o Edifício, que representa a Casa do Pai, a Nova Jerusalém, a Igreja que Ele planejou desde a eternidade para ser a morada dos homens. No centro, atrás do Filho, a árvore de Mamre transforma-se na Árvore da Vida e no Lenho da Cruz: o mistério do sacrifício que floresce e dá fruto para o mundo. À direita, atrás do Espírito Santo, vemos a Montanha, símbolo da elevação espiritual, do deserto dos Padres e da solidez da fé guiada pelo sopro do Consolador.


Embora os três anjos possuam rostos idênticos, porque compartilham a mesma e única natureza divina, as suas vestes e inclinações revelam a identidade de cada Pessoa. O Anjo da Esquerda (o Pai) assume uma postura ereta e majestosa; Ele é a Fonte da Divindade, para quem as outras duas Pessoas se inclinam sutilmente. O Anjo do Centro (o Filho) veste o vermelho sacerdotal da Paixão e aponta diretamente com dois dedos para o cálice sobre a mesa, abençoando-o e afirmando as Suas duas naturezas: Ele é verdadeiro Deus e verdadeiro Homem. O Anjo da Direita (o Espírito Santo) inclina-se numa postura de profunda escuta e serviço, com a mão sobre a mesa, como quem nos empurra para dentro dessa comunhão.


Esta comunhão que começou na tenda de Abraão e que o ícone retrata expandiu-se para todo o universo. Na segunda leitura, São Paulo mostra-nos a grandiosidade desse plano na carta aos Efésios (1, 17-22). O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo derrama sobre nós o Espírito de sabedoria para que conheçamos a herança gloriosa que nos foi dada. O mesmo poder trinitário que ressuscitou a Cristo e O colocou acima de todo nome e de toda potestade é o poder que atua em nós. A Trindade colocou todas as coisas debaixo dos pés de Cristo para dar à Igreja a autoridade do Amor.


Como, então, respondemos a essa grandeza? No Evangelho de Mateus (28, 16-20), Jesus ressuscitado despede-se dos discípulos na montanha e entrega-nos o nosso mandato cósmico: "Ide e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo". O batismo, na sua raiz, significa "mergulhar". Fomos mergulhados no oceano do amor trinitário. E a promessa final de Cristo sela a nossa caminhada: "Eis que estou convosco todos os dias, até ao fim dos tempos".


Os Padres do Deserto diziam: "Se queres ver a Deus, abre a porta da tua tenda ao irmão".


Olhemos mais uma vez para a dinâmica deste ícone: os três anjos ocupam a cabeceira e as laterais da mesa, onde repousa o cálice eucarístico. Mas reparem na perspetiva da pintura: a frente da mesa está completamente vazia. Esse espaço aberto não é um erro de composição ou um ajuste cenográfico; é um convite teológico: a mesa da Trindade está aberta para o observador. O quarto lugar nesta mesa pertence a cada um de nós.


Viver o mistério da Trindade é viver a hospitalidade e a comunhão. Se na nossa comunidade e nas nossas famílias não há espaço para o acolhimento, se fechamos o coração ao irmão, a nossa confissão de fé torna-se vazia.


Nesta Divina Liturgia, ao aproximarmo-nos do altar, que se assemelha exatamente à mesa deste ícone, deixemo-nos atrair por este mistério. Que o Pai nos acolha na Sua Casa, que o Verbo Encarnado nos alimente com o Seu Cálice e que o Espírito Santo divinize a nossa poeira, transformando as nossas vidas num louvor perene à Trindade Santa, Consubstancial e Indivisível.


À Ela seja o louvor, a honra e a glória para sempre. Amém.



🙏 ORAÇÃO

(Oração da Coleta, da Divina Liturgia Galicana)


Deus todo-poderoso e eterno,

que permitistes que vosso povo confessasse a verdadeira fé,

que é conhecer-vos, vosso Verbo co-eterno

e vosso Espírito Santo e vivificante,

a Trindade indivisível e consubstancial,

e adorar-vos como a Unidade soberana e onipotente,

nós vos pedimos, fortalecei-nos em nossa fé

e permiti que penetremos cada vez mais profundamente

na contemplação de vossa vida divina.

A vós seja o louvor e a glória, agora e sempre e pelos séculos dos séculos.

Amém.






 
 
 

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