1º Domingo depois de Pentecostes
- Fraternidade São Nicolau

- há 5 dias
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A Santíssima Trindade
PRAELEGENDUM (Sl. 33, 5-6; 47,1)
A terra está cheia da misericórdia do Senhor:
Pela palavra do Senhor foram feitos os céus,
e os corpos celestes, pelo sopro de sua boca.
Vós todos, povos, batam palmas
e aclamem a Deus com gritos de alegria.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo,
agora e sempre, pelos séculos dos séculos. Amém.
HINO (De la Sainte Trinité)
Vinde, povos,
adoremos a divindade em Três Pessoas:
o Pai no Filho com o Espírito Santo.
O Pai, desde toda a eternidade,
gera o Filho, eterno e rei,
e o Espírito Santo está no Pai
glorificado com o Filho,
um só poder, uma só substância, uma só divindade.
É a ele que adoramos, dizendo:
Santo Deus, que criou tudo por meio do Filho
com a ajuda do Espírito Santo,
Santo Forte, por meio do qual conhecemos o Pai
e por meio do qual o Espírito Santo veio ao mundo,
Santo Imortal, Espírito consolador que procede do Pai
e repousa no Filho.
Santíssima Trindade, glória a Ti!
📖 EVANGELHO de Jesus Cristo, segundo São Mateus 28, 16-20
Naqueles dias, os onze discípulos partiram para a Galileia, para o monte que Jesus lhes tinha indicado. Quando o viram, adoraram-no eles que a princípio tinham duvidado. Jesus, aproximando-se, falou-lhes assim: "Foi-me dado todo o poder no céu e na terra. Ide, pois, ensinai todas as gentes, baptizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, ensinando-as a observar todas as coisas que vos mandei. Eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo.
Glória à Ti, Senhor! Glória à Ti!

HOMILIA
Mons. Jonas, bispo eparca
31 de maio de 2026
Meus irmãos e irmãs, hoje celebramos o mistério que é a fonte, o sustento e o destino de nossas vidas: a Santíssima Trindade. Olhando para as escrituras deste dia e contemplando este belíssimo ícone que hoje adorna a nossa liturgia, percebemos que Deus não se revela a nós como um conceito abstrato ou uma fórmula teórica, mas como um Deus que caminha, que visita, que se senta à mesa e que nos convida a entrar na Sua intimidade.
No livro do Gênesis (18, 1-15), vemos Abraão sentado à porta de sua tenda no maior calor do dia. De repente, ele vê três homens de pé diante dele. Abraão não faz perguntas teológicas; ele corre, inclina-se até o chão e oferece o melhor que tem: água para lavar os pés, a sombra da árvore e um banquete. Aquela cena misteriosa no Carvalho de Mamre é a primeira imagem velada da Trindade na história: Deus que se apresenta como três Peregrinos para se sentar à mesa com o homem.
Se olharmos para o nosso ícone, vemos essa cena transfigurada. Atrás dos três anjos, os elementos do cenário de Gênesis ganham o seu verdadeiro sentido na economia da salvação. À esquerda, atrás do Pai, vemos o Edifício, que representa a Casa do Pai, a Nova Jerusalém, a Igreja que Ele planejou desde a eternidade para ser a morada dos homens. No centro, atrás do Filho, a árvore de Mamre transforma-se na Árvore da Vida e no Lenho da Cruz: o mistério do sacrifício que floresce e dá fruto para o mundo. À direita, atrás do Espírito Santo, vemos a Montanha, símbolo da elevação espiritual, do deserto dos Padres e da solidez da fé guiada pelo sopro do Consolador.
Embora os três anjos possuam rostos idênticos, porque compartilham a mesma e única natureza divina, as suas vestes e inclinações revelam a identidade de cada Pessoa. O Anjo da Esquerda (o Pai) assume uma postura ereta e majestosa; Ele é a Fonte da Divindade, para quem as outras duas Pessoas se inclinam sutilmente. O Anjo do Centro (o Filho) veste o vermelho sacerdotal da Paixão e aponta diretamente com dois dedos para o cálice sobre a mesa, abençoando-o e afirmando as Suas duas naturezas: Ele é verdadeiro Deus e verdadeiro Homem. O Anjo da Direita (o Espírito Santo) inclina-se numa postura de profunda escuta e serviço, com a mão sobre a mesa, como quem nos empurra para dentro dessa comunhão.
Esta comunhão que começou na tenda de Abraão e que o ícone retrata expandiu-se para todo o universo. Na segunda leitura, São Paulo mostra-nos a grandiosidade desse plano na carta aos Efésios (1, 17-22). O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo derrama sobre nós o Espírito de sabedoria para que conheçamos a herança gloriosa que nos foi dada. O mesmo poder trinitário que ressuscitou a Cristo e O colocou acima de todo nome e de toda potestade é o poder que atua em nós. A Trindade colocou todas as coisas debaixo dos pés de Cristo para dar à Igreja a autoridade do Amor.
Como, então, respondemos a essa grandeza? No Evangelho de Mateus (28, 16-20), Jesus ressuscitado despede-se dos discípulos na montanha e entrega-nos o nosso mandato cósmico: "Ide e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo". O batismo, na sua raiz, significa "mergulhar". Fomos mergulhados no oceano do amor trinitário. E a promessa final de Cristo sela a nossa caminhada: "Eis que estou convosco todos os dias, até ao fim dos tempos".
Os Padres do Deserto diziam: "Se queres ver a Deus, abre a porta da tua tenda ao irmão".
Olhemos mais uma vez para a dinâmica deste ícone: os três anjos ocupam a cabeceira e as laterais da mesa, onde repousa o cálice eucarístico. Mas reparem na perspetiva da pintura: a frente da mesa está completamente vazia. Esse espaço aberto não é um erro de composição ou um ajuste cenográfico; é um convite teológico: a mesa da Trindade está aberta para o observador. O quarto lugar nesta mesa pertence a cada um de nós.
Viver o mistério da Trindade é viver a hospitalidade e a comunhão. Se na nossa comunidade e nas nossas famílias não há espaço para o acolhimento, se fechamos o coração ao irmão, a nossa confissão de fé torna-se vazia.
Nesta Divina Liturgia, ao aproximarmo-nos do altar, que se assemelha exatamente à mesa deste ícone, deixemo-nos atrair por este mistério. Que o Pai nos acolha na Sua Casa, que o Verbo Encarnado nos alimente com o Seu Cálice e que o Espírito Santo divinize a nossa poeira, transformando as nossas vidas num louvor perene à Trindade Santa, Consubstancial e Indivisível.
À Ela seja o louvor, a honra e a glória para sempre. Amém.

🙏 ORAÇÃO
(Oração da Coleta, da Divina Liturgia Galicana)
Deus todo-poderoso e eterno,
que permitistes que vosso povo confessasse a verdadeira fé,
que é conhecer-vos, vosso Verbo co-eterno
e vosso Espírito Santo e vivificante,
a Trindade indivisível e consubstancial,
e adorar-vos como a Unidade soberana e onipotente,
nós vos pedimos, fortalecei-nos em nossa fé
e permiti que penetremos cada vez mais profundamente
na contemplação de vossa vida divina.
A vós seja o louvor e a glória, agora e sempre e pelos séculos dos séculos.
Amém.





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