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1º Domingo do Advento

O chamado



PRÆLEGENDUM (Sl. 80, 14-19)

Ó Deus dos Exércitos, olha do céu e vê,

visita esta vinha que a tua Mão Direita plantou.

Vem e levanta-nos, ó Deus dos Exércitos,

deixa o teu rosto brilhar sobre nós e seremos salvos.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,

Como era no princípio, agora e sempre,

e pelos séculos dos séculos. Amém.



EVANGELHO de Jesus Cristo, segundo São João 1, 35-51

No dia seguinte João estava outra vez ali, na companhia de dois dos seus discípulos. E, vendo passar a Jesus, disse: Eis aqui o Cordeiro de Deus. E os dois discípulos ouviram-no dizer isso e seguiram a Jesus. E Jesus, voltando-se e vendo que eles o seguiam, disse-lhes: Que buscais? E eles disseram: Rabi (que, traduzido, quer dizer Mestre), onde moras? Ele lhes disse: Vinde e vede. Foram, e viram onde morava, e ficaram com ele aquele dia; e era já quase a hora décima. Era André, irmão de Simão Pedro, um dos dois que ouviram aquilo de João e o haviam seguido. Este achou primeiro a seu irmão Simão e disse-lhe: Achamos o Messias (que, traduzido, é o Cristo). E levou-o a Jesus. E, olhando Jesus para ele, disse: Tu és Simão, filho de Jonas; tu serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro).

No dia seguinte, quis Jesus ir à Galileia, e achou a Filipe, e disse-lhe: Segue-me. E Filipe era de Betsaida, cidade de André e de Pedro. Filipe achou Natanael e disse-lhe: Havemos achado aquele de quem Moisés escreveu na Lei e de quem escreveram os Profetas: Jesus de Nazaré, filho de José. Disse-lhe Natanael: Pode vir alguma coisa boa de Nazaré? Disse-lhe Filipe: Vem e vê. Jesus viu Natanael vir ter com ele e disse dele: Eis aqui um verdadeiro israelita, em quem não há dolo. Disse-lhe Natanael: De onde me conheces tu? Jesus respondeu e disse-lhe: Antes que Filipe te chamasse, te vi eu estando tu debaixo da figueira. Natanael respondeu e disse-lhe: Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel. Jesus respondeu e disse-lhe: Porque te disse: vi-te debaixo da figueira, crês? Coisas maiores do que estas verás. E disse-lhe: Na verdade, na verdade vos digo que, daqui em diante, vereis o céu aberto e os anjos de Deus subirem e descerem sobre o Filho do Homem.


Te louvamos, Senhor.


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HOMILIA

Mons. Jonas, eparca para o Brasil


Queridos irmãos, queridas irmãs, é uma alegria reencontrá-los e celebrar este advento com vocês. É Jesus quem nos chama, nos convida... para juntos nos prepararmos bem para o seu nascimento, para o nosso encontro com Ele.


Hoje é o 1º Domingo do Advento = significa chegada, vinda; corresponde à palavra grega parousia. Esta palavra (Advento) foi usada desde cedo na Igreja para designar o período do ano litúrgico que precede imediatamente a festa da Natividade do Salvador e serve como preparação para ela. Com o advento damos início ao novo Ano Litúrgico.


Nossa Igreja Ortodoxa Galicana segue o que foi determinado nos Concílio de Tours em 567 (Tours II, cânon 19) e o no Concílio de Macon em 581 (Macon I, cânon 9) que falam de um período de jejum entre a festa de São Martinho (12/11) e a Natividade do Senhor (25/12): "Desde a festa de São Martinho até a Natividade do Senhor, jejuar-se-á às segundas, quartas e sextas-feiras". Este período dura 42 dias. Uma pequena quaresma, pequenos dias de retiro, de reflexão, meditação, interiorização como forma de preparação para a grande festa do Natal do Senhor.


“Volta ao teu coração, velho Adão, e vê como o novo Adão te procurou e te encontrou.

Ele nunca deixou de te chamar na sua misericórdia..." São Bernardo de Claraval


O Evangelho deste Primeiro Domingo do Advento ressoa em nós como um chamamento, um convite: somos convidados a preparar a vinda de Cristo na nossa vida. No Evangelho que acabamos de ouvir, os discípulos partem ao encontro de Jesus a convite de João Batista.


“Que procurais?" é a primeira palavra de Cristo no relato de hoje, e os discípulos respondem: "Mestre, onde estás?” No livro do Gênesis, após a queda, ouvimos a pergunta de Deus a Adão: "Adão, onde estás?” O ser humano está exilado de si mesmo, cortado das suas raízes celestes, já não vive na Presença. "Fizeste-nos para ti, Senhor, e o nosso coração não descansa enquanto não repousar em ti", exclamava Santo Agostinho, que tinha percorrido este longo caminho para se reencontrar com a fonte da vida dentro de si.


Esta primeira palavra é uma pergunta, um apelo a caminhar, a vir, ver e a permanecer, um apelo a regressar ao nosso templo interior: "Volta um pouco ao teu coração, volta, velho Adão, vê como o novo Adão te procurou e te encontrou, não cessou de te chamar na sua misericórdia..." São Bernardo.


O verbo "permanecer" é importante no Evangelho e nas epístolas de João... (67 vezes) evoca habitação, presença e estabilidade... Como responder a este convite? Primeiro, vem e vê... é um convite... para viver na companhia de Cristo. Permanecer com e depois permanecer em passar da exterioridade à interioridade (esta é a graça dos monges, dos hesicastas).


São Paulo, tendo vivido essa experiência interior, vai convidar-nos a fazê-lo: "Que Cristo habite nos vossos corações pela fé, para que possamos estar enraizados e alicerçados no seu amor..." "Revesti-vos de Cristo..." De fato, somos convidados a entrar numa experiência, numa relação... Deus não é uma abstração, nem uma ideia, mas uma presença íntima dentro de nós, e enquanto não tivermos feito um pouco dessa experiência, nunca poderemos compreendê-lo; estaremos do lado de fora...


Recordemos outra frase de Santo Agostinho sobre a sua conversão: "Tarde te amei, ó Beleza, antiga e tão nova; tarde te amei. Estavas dentro de mim e eu estava fora, e foi aí que te procurei".


A primeira leitura evoca esta dificuldade de entrar numa experiência. No Templo, Isaías experimenta a presença divina, a grandeza, a beleza, e, ao mesmo tempo, experimenta a humildade. “Ai de mim, sou um homem de lábios impuros, vivo no meio de um povo de lábios impuros". Sofre porque entrou nas profundezas (ou pelo menos está a caminho delas) e vê a sua própria mediocridade e a banalidade do mundo... Mas o santo é aquele que escolheu Deus como eixo da sua vida, e que se separa de tudo o que impede a sua relação com Deus, que vive a sua vida na confiança absoluta em Deus, apesar do seu esquecimento de Deus, das suas fraquezas, da sua pobreza... que não desespera da misericórdia divina e se deixa tocar pelas brasas do Espírito. Mas a sua palavra não será ouvida nem compreendida pelo povo, que se agarrou a uma religião exterior. O povo não pode compreender por que tem uma religião exterior... "Eles são do mundo; por isso falam a língua do mundo, e o mundo escuta-os. Nós somos de Deus; aquele que conhece Deus ouve-nos; aquele que não é de Deus não nos ouve. É assim que reconhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro" (1Jo1).


Permanecer em Cristo significa pôr-se em movimento, libertar-se dos seus apegos para descobrir em si mesmo a fonte da divindade que nos é revelada por Cristo.

Agora, com a novidade do Evangelho, Deus já não se encontra num templo exterior, mas é designado como o Cordeiro de Deus que percorre os nossos caminhos humanos no meio de nós... Um Deus frágil que nos é confiado, todo poderoso por amor e todo impotente na medida em que nos alcança no coração de cada angústia. Deus que sofre conosco quando sofremos, que duvida conosco quando duvidamos, que se alegra conosco quando nos alegramos. Deus que alcança e contém em si toda a humanidade... A humildade é o adorno da Divindade. Ao fazer-se homem, o Verbo revestiu-se dela. Através dela, viveu conosco num corpo. E todo aquele que se reveste dela fez-se, na verdade, semelhante àquele que desceu da sua altura e cobriu de humildade a sua grandeza e glória, para que, ao ver a criação, esta não se consumisse. Porque a criação não poderia contemplá-lo se ele não tivesse tomado sobre si a humildade e vivido com ela...


Uma personagem enigmática do Evangelho de João é o Discípulo Amado, aquele que repousou a cabeça no peito do Senhor, que esteve ao pé da cruz, que acolheu a mãe de Jesus e que o reconheceu na ressurreição... é aquele que permanece (que permaneceu firme) no amor de Cristo... reconheceu em Jesus o cordeiro do sacrifício, o Verbo Encarnado, experimenta o Amor infinito de Deus que se humilha para dar vida ao mundo. Viver e permanecer com Cristo é entrar nesta humildade, renunciar a toda a posse, a todo o apego, a todo o orgulho, libertarmo-nos dos nossos determinismos para nos tornarmos um espaço ilimitado de Amor e de luz.


'Permanecer com' para 'permanecer em', passar do exterior para o interior, regressar ao nosso coração mais profundo, para aí encontrar Cristo, é um caminho feito de humildade que anda também de mãos dadas com a paciência a que nos convida o apóstolo Tiago... Sejamos pacientes, dediquemos tempo a permanecer pouco a pouco com Cristo, é o tempo de uma vida... Sejamos pacientes conosco mesmos (com os nossos erros), pacientes com os outros (com os erros dos outros) e pacientes com Deus... Tenhamos cuidado para não nos julgarmos uns aos outros, pois o Senhor é paciente e misericordioso.


Assim, também nós somos convidados a permanecer em Cristo, a viver em Cristo, a regressar ao nosso coração... Como podemos permanecer nele durante este tempo de Advento e ao longo da nossa caminhada?


A Igreja nos indica alguns caminhos: a oração, o jejum, os Sacramentos...

Que cada um encontre, no seu caminho, a melhor forma de permanecer em Jesus.

A Ele seja a glória, o louvor e a ação de graças, pelos séculos dos séculos. Amém.



ORAÇÃO

da Coleta, conforme a Divina Liturgia Galicana


Senhor, desabrocha o teu poder e vem; cumpre agora na tua misericórdia o que prometeste à tua Igreja até o fim dos tempos, ó tu que vives e reinas com o Pai e o Espírito Santo, um só Deus pelos séculos dos séculos.



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