6º Domingo depois de Pentecostes
- Fraternidade São Nicolau

- 5 de jul.
- 5 min de leitura
Atualizado: 10 de jul.
Os Dois Grandes Mandamentos
PRÆLEGENDUM (Sl.118/119, 7-8)
Quero louvar-vos com sincero coração,
pois aprendi as vossas justas decisões.
Quero guardar vossa vontade e vossa lei;
Senhor, não me deixeis desamparado!
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,
Como era no princípio, agora e sempre,
e pelos séculos dos séculos. Amém.
EVANGELHO de Jesus Cristo, segundo São Mateus 22, 34-46
Naqueles dias, os fariseus se reuniram quando souberam que Jesus tinha feito os saduceus calarem a boca. E um deles, que era mestre da Lei, querendo conseguir alguma prova contra Jesus, perguntou:
— Mestre, qual é o mais importante de todos os mandamentos da Lei?
Jesus respondeu:
— “Ame o Senhor, seu Deus, com todo o coração, com toda a alma e com toda a mente.” Este é o maior mandamento e o mais importante. E o segundo mais importante é parecido com o primeiro: “Ame os outros como você ama a você mesmo.” Toda a Lei de Moisés e os ensinamentos dos Profetas se resumem nesses dois mandamentos.
Quando os fariseus estavam reunidos, Jesus perguntou a eles:
— O que vocês pensam sobre o Messias? De quem ele é descendente?
— De Davi! — responderam eles.
Jesus tornou a perguntar:
— Então, por que é que Davi, inspirado pelo Espírito Santo, chama o Messias de Senhor? Pois Davi disse:
“O Senhor Deus disse ao meu Senhor:
‘Sente-se do meu lado direito,
até que eu ponha os seus inimigos
debaixo dos seus pés.’ ”
Portanto, se Davi chama o Messias de Senhor, como é que o Messias pode ser descendente de Davi?
Ninguém podia responder mais nada, e daquele dia em diante não tiveram coragem de lhe fazer mais perguntas.
Glória à Ti, Senhor! Glória à Ti!

HOMILIA
para o 6º Domingo de Pentecostes
Padre Renato Souza, Fraternidade Ortodoxa São Nicolau
Manaus/AM, 05 jul. 2026
Amados irmãos e irmãs em Cristo,
Neste 6° domingo após Pentecostes, somos chamados a olhar para Jesus, inteligente e sábio diante das artimanhas de seus opositores, mas, sobretudo com uma preocupação maior: revelar o Reino de Deus àquelas pessoas de coração simples e que desejavam ser acolhidas por Deus. O Reino é o tema central dessa parte do evangelho de Mateus.
Em Jesus, a Lei da religião e do Reino não pode ser outra, senão o Amor. E é essa Lei que vai revelar quem é, de fato, o Messias, Aquele que é maior do que Davi, que ao seu tempo, foi o maior dos reis de Israel.
Para Cristo, as ideias de lei, de mandamentos, de reino, de realeza transcendem o sentido humano e trazem, por si mesmas, a novidade de um Deus encarnado, que preferiu nascer e viver entre os mais pobres e desfavorecidos. Diferente de Davi que reinou sobre todas as tribos de Israel desde seu palácio, Jesus reina nos corações e nas ações de misericórdia realizadas por seus discípulos.
No Reino de Jesus, ensinado por meio de parábolas e, de quando em quando, por meio do confronto com os religiosos, a Lei maior é o Amor a Deus e aos irmãos. Quem ama não oprime, não exclui, não explora, não tira vantagens. Os poderosos entre os judeus, aqui representados por saduceus e fariseus, esperavam como messias um “novo Davi”, um guerreiro, um rei politico e militarmente poderoso que fosse capaz de expulsar os romanos da Terra Santa de Israel.
Jesus de Nazaré decepciona as expectativas desse grupo e revela-se um messias amoroso e misericordioso, que a todos acolhe sem julgamento, devolvendo, por meio de seus milagres, a dignidade dos que a religião excluía com a desculpa do pecado e de suas consequências.
É nessa observância da Lei do amor que se mostra a fidelidade a Deus em Jesus Cristo, o mesmo Deus do Deuteronômio, mas, dessa vez, plenamente revelado no Filho. Na antiga aliança, como escutamos na primeira leitura, era necessário escrever essa fidelidade nas casas e nas entradas das cidades, para que se manifestasse a adesão ao único Deus de Abraão. Em Cristo, é necessário praticar o amor.
No Apóstolo São Paulo, como escutamos na segunda leitura da Carta aos Gálatas, a prática está associada à vivência do amor entre os irmãos na comunidade, e nisso consiste também a vida segundo o Espírito Santo. Nessa vida, somos chamados ao serviço uns dos outros. Esse é o exercício verdadeiro da Lei que é o amor.
Não se pode separar o amor a Deus e ao próximo. São como dois lados da mesma moeda, duas naturezas da mesma resposta cristã à Deus.
Quero deixar os queridos irmãos e irmãs com essa bela reflexão de Teofilato de Ohrid (1.107 d.C.):
Movido por um rancor imensurável, este homem se apresenta para pôr o Senhor à prova. Pois, ao verem os saduceus envergonhados e o Senhor louvado por Sua sabedoria, eles se apresentaram para pô-Lo à prova, a fim de ver se Ele acrescentaria algo ao primeiro mandamento, dando-lhes assim a oportunidade de acusá-Lo de ser um inovador que corrige a lei. Mas o Senhor revela a malícia deles, e, como não vieram para aprender, mas sim, desprovidos de amor, para demonstrar sua inveja e seu rancor, Ele lhes revela o imenso amor expresso pelos mandamentos. E Ele ensina que não devemos amar a Deus parcialmente, mas entregar-nos completamente a Ele. Pois percebemos estas três distinções da alma humana: a vegetativa, a animal e a racional. Quando a alma cresce, é nutrida e gera o que lhe é semelhante, assemelha-se às plantas; quando sente raiva ou desejo, é como os animais; quando compreende, é chamada de racional. Veja, então, como essas três facetas são indicadas aqui. "Amarás o teu Deus de todo o teu coração" - esta é a parte animal do homem; "e com toda a tua alma [ou vida]" - esta é a parte vegetativa do homem, pois as plantas são vivas e animadas; "e com todo o teu entendimento" - esta é a parte racional (Deuteronômio 6,5). Portanto, deve-se amar a Deus com toda a alma, isto é, deve-se atendê-Lo com todas as partes e faculdades da alma. "Este é o primeiro e grande mandamento", que nos ensina a piedade. "O segundo é semelhante a este", que nos exorta a fazer aos outros o que é justo e correto. Pois há duas coisas que levam à perdição: doutrinas malignas e uma vida corrupta. Para não cairmos em doutrinas profanas, devemos amar a Deus; para não levarmos uma vida corrupta, devemos amar o nosso próximo (Levítico 19,18). Pois quem ama o seu próximo cumpre todos os mandamentos, e quem cumpre todos os mandamentos ama a Deus. Assim, por meio um do outro, esses dois mandamentos estão unidos e interligados, contendo em si todos os outros mandamentos. Pois quem é que ama a Deus e ao seu próximo, mas também rouba, ou guarda rancor, ou comete adultério, ou mata, ou fornica? Este advogado, então, inicialmente veio para pô-Lo à prova, mas depois, ouvindo a resposta de Cristo, emendou seus caminhos, e o Senhor o elogiou, como Marcos também diz que Jesus olhou para ele com amor e disse: "Tu não estás longe do reino dos céus" (Mc 12,34).
À Deus seja o louvor para sempre!

COLETA POST-PRECEM
Ó Deus, nosso Pastor e eterno Sustento,
que nutris a Vossa Igreja com a Palavra e a promessa da salvação:
atendei com bondade às súplicas do Vosso povo.
Enviai o Vosso Espírito Santo para robustecer a nossa fé,
transformando cada clamor em certeza de vitória
e fazendo florir em nossas almas a paz que renova as nossas forças.
Concedei-nos, por Vossa misericórdia e amor à humanidade,
o escudo da esperança e o auxílio que tão confiantes Vos pedimos,
para que, guardados firmemente em Vossas mãos,
caminhemos unidos na Vossa Verdade.
Pai, Filho e Espírito Santo, ó nosso Deus bendito,
que viveis, reinais e triunfais pelos séculos dos séculos.
Amém.





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