Os bons e os maus frutos

Reflexão do 7º Domingo após o Pentecostes


📖 Neste Domingo, a Igreja nos convida à reflexão com base no Evangelho de São Mateus 7, 15-23.


Naqueles dias, disse Jesus aos seus discípulos:

"Cuidado com os falsos profetas! Eles chegam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos selvagens. Vocês os conhecerão pelo que eles fazem. Os espinheiros não dão uvas, e os pés de urtiga não dão figos. Assim, toda árvore boa dá frutas boas, e a árvore que não presta dá frutas ruins. A árvore boa não pode dar frutas ruins, e a árvore que não presta não pode dar frutas boas. Toda árvore que não dá frutas boas é cortada e jogada no fogo. Portanto, vocês conhecerão os falsos profetas pelas coisas que eles fazem.

Não é toda pessoa que me chama de “Senhor, Senhor” que entrará no Reino do Céu, mas somente quem faz a vontade do meu Pai, que está no céu. Quando aquele dia chegar, muitas pessoas vão me dizer: “Senhor, Senhor, pelo poder do seu nome anunciamos a mensagem de Deus e pelo seu nome expulsamos demônios e fizemos muitos milagres!” Então eu direi claramente a essas pessoas: “Eu nunca conheci vocês! Afastem-se de mim, vocês que só fazem o mal!”


Glória a Ti, Senhor! Glória a Ti!


"Por seus frutos os reconhecerás"

Reflexão de nosso bispo Jonas


A passagem retirada do Evangelho segundo São Mateus, curta mas contundente, oferece-nos um meio útil para discernir: “Uma árvore boa não pode dar frutos maus, nem uma árvore má dar frutos bons”. Usando este exemplo, Jesus deseja alertar seus discípulos contra os falsos profetas.

O Sermão da Montanha, aqui, está chegando ao fim, e Jesus oferece algumas advertências específicas para ajudar os discípulos a combater a hipocrisia e a falsidade, atitudes difundidas não apenas fora, mas também dentro da comunidade dos crentes. A palavra fruta, diretamente ligada ao conceito de verdade, representa as boas ou justas ações que o discípulo faz ao ouvir a voz daquele que é a Verdade. Jesus adverte contra os falsos profetas porque eles não falam a verdade mas enganam, colocando em risco a integridade da comunidade. Depois, incentiva a comunidade, a partir de critérios fundados na Palavra de Deus, a discernir o que é verdadeiro e o que não é.

Nosso pai espiritual, o bispo São João de Saint-Denis, em sua homilia de 7 de julho de 1959, aborda este trecho do Evangelho da seguinte forma:


Em verdade, falsos profetas têm todas as aparências de verdadeiros profetas, falsos mestres têm todas as aparências de verdadeiros mestres; Eles estão vestidos com pele de ovelha, mas são lobos vorazes. Este ensino por imagens significa: não julgue pelas aparências (e rapidamente), não seja ingênuo na sua apreciação. Saliento expressamente a simplicidade do coração, porque onde devemos ser simples, não o somos, e na inteligência, pela qual devemos ser prudentes como as serpentes, somos ingênuos como os pombos.

Cristo nos diz para não confiarmos nas aparências. Chega um mestre ou profeta que tem a aparência de filho da luz enviado por Deus e descobrimos que é um lobo, um falso profeta. Que critérios nós temos? Os frutos da árvore. Esta imagem nos diz que nunca devemos falar precipitadamente: não fale precipitadamente sobre algum acontecimento espiritual, seja ele qual for. Demore, porque você não deve julgar pelas folhas ou pelas flores, mas pelos frutos, ou seja, quando algo está amadurecido.


Podemos nos perguntar, meus irmãos e irmãs: quais são os frutos pelos quais o discípulo de Jesus é reconhecido? Quais os frutos que nós, cristãos, devemos produzir? Já temos a resposta: viver as bem-aventuranças, ou seja, perdoar e amar a todos, inclusive os inimigos, dar sem exigir nada em troca, rezar, não julgar. Ser pacífico, não extravagante ou bisbilhoteiro. Ser luz e não trevas.

O verdadeiro discípulo de Jesus, que, vivendo as bem-aventuranças, se torna profeta da verdade, nunca deixará de produzir bons frutos, porque sempre falará e agirá como Jesus.


Que o Mestre Bendito, pela Graça do seu Santo Espírito, nos auxilie a viver sua Palavra. Amém.

🙏 Oração

(Da Post-Nomina da Divina Liturgia)


Senhor Jesus Cristo, Deus onipotente, marca-nos com teu puríssimo selo para que sejamos protegidos de todo mal, e que te conheçamos a Ti, único Salvador do mundo, filantropo e co-eterno com o Pai e o Espírito Santo.

A Ti o louvor, o hino, a sabedoria, a honra, o poder, a força e a ação de graças pelos séculos dos séculos. Amém.



😇 Santoral deste Domingo

Santos Savin e Cipriano, mártires em Poitou (+507)

Leôncio, bispo de Bordeaux (+656)

Aleth, bispo de Cahors (+440)

Soprhonio, monge no Monte Athos (1993)

Memória da transladação para a Gália das relíquias de São Bento.

Fonte:

A Divina Liturgia segundo São Germano de Paris ou o Antigo Rito da Gália. Trad. Pe. André Sperandio, 2018.

Calendário Litúrgico da Igreja Ortodoxa da Gália, 2020-2021.

Homilia de São João de Saint-Denis, de 5 de julho de 1959. In: Homélies III. Forgeville: Paris, 2020, p. 62-63.


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