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Os Dias das Rogações

Atualizado: há 12 horas

"Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e ser-vos-á concedido" (Jo. 15,7)

A Procissão, de Leonid Ivanovich Solomatkin (1837-1883), Rússia.
A Procissão, de Leonid Ivanovich Solomatkin (1837-1883), Rússia.

Nos três dias que antecedem a gloriosa Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo, a Igreja celebra os antigos Dias das Rogações, tempo de oração, penitência e súplica pela misericórdia de Deus sobre a humanidade e sobre toda a criação.


A palavra rogação vem do latim 'rogare', pedir, suplicar. Desde cedo, esses dias tornaram-se ocasiões privilegiadas para procissões, jejuns e litanias, nas quais o povo cristão implorava ao Senhor proteção contra calamidades, guerras, doenças, fome e desastres naturais, ao mesmo tempo em que pedia bênçãos para os campos, para o trabalho humano e para a vida das comunidades.


A origem das Rogações está profundamente ligada à Gália cristã do século V e à figura de São Mamerto, bispo de Vienne. Em um período marcado por terremotos, incêndios e grandes sofrimentos, São Mamerto convocou o povo à penitência pública e à oração comum nos dias anteriores à Ascensão. A prática espalhou-se rapidamente e ganhou grande importância na vida litúrgica do Ocidente cristão.


O reconhecimento oficial veio pouco depois. No Concílio de Orléans, em 511, os bispos reunidos determinaram que as Rogações fossem celebradas em toda a Gália durante os três dias anteriores à Ascensão. Mais tarde, Guntram, neto de Clóvis e rei da Borgonha, ordenou sua observância em todo o reino. Em 567, os Concílios de Lyon e Tours confirmaram as decisões de Orléans e declararam esses três dias como feriados religiosos.


Entre os séculos VII e X, as Rogações difundiram-se progressivamente por todo o Ocidente cristão. Sua expansão acompanhou também a consolidação territorial das paróquias, sobretudo nas regiões rurais. As procissões percorriam campos, estradas e limites das comunidades, consagrando o espaço da vida humana à proteção divina. Mais tarde, a prática também se estabeleceu nas paróquias urbanas.


Essas procissões não tinham apenas um caráter devocional. Elas manifestavam concretamente a consciência cristã de que toda a criação pertence a Deus e depende continuamente de Sua providência. O homem não vive isolado da ordem criada, mas inserido nela, recebendo diariamente do Senhor a vida, o alimento, as estações e os frutos da terra.


Ao aproximarmo-nos da Ascensão, as Rogações nos recordam também que Cristo, ao subir aos céus, não abandona Seu povo. Ele permanece presente em Sua Igreja e intercede continuamente diante do Pai por toda a humanidade.


Em tempos marcados pela autossuficiência e pelo esquecimento de Deus, os Dias das Rogações permanecem um forte chamado à humildade, à conversão e à confiança na misericórdia divina. A Igreja continua elevando suas litanias e súplicas, pedindo ao Senhor que abençoe o mundo, preserve os povos na paz e conceda à humanidade inteira os dons necessários para a salvação.



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A terra vós firmastes em suas bases,

ficará firme pelos séculos sem fim;

De vossa casa as montanhas irrigais,

com vossos frutos saciais a terra inteira.

 

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.

Como era no princípio, agora e sempre e pelos séculos dos séculos.

A terra vós firmastes em suas bases,

ficará firme pelos séculos sem fim.

(Sl. 103/104, 5.13)



 
 
 

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