3º Domingo depois de Pentecostes
- Fraternidade São Nicolau

- 14 de jun.
- 5 min de leitura
Jesus e Nicodemos
PRÆLEGENDUM (Sl. 13)
Que o teu espírito de bondade, Senhor,
me conduza à terra da retidão:
pela honra do teu nome, faze-me viver na tua justiça.
Faze-me saber o caminho a seguir,
porque para Ti quero elevar a minha alma.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,
Como era no princípio, agora e sempre,
e pelos séculos dos séculos. Amém.
EVANGELHO de Jesus Cristo, segundo São João 3, 1-13
E havia entre os fariseus um homem, chamado Nicodemos, príncipe dos judeus.
Este foi ter de noite com Jesus, e disse-lhe: Rabi, bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele.
Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.
Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer?
Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.
O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.
Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo.
O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim étodo aquele que é nascido do Espírito.
Nicodemos respondeu, e disse-lhe: Como pode ser isso?
Jesus respondeu, e disse-lhe: Tu és mestre de Israel, e não sabes isto?
Na verdade, na verdade te digo que nós dizemos o que sabemos, e testificamos o que vimos; e não aceitais o nosso testemunho.
Se vos falei de coisas terrestres, e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais?
Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu.
Te louvamos, Senhor!

HOMILIA
por Mons. Jonas
Exarca para o Brasil
14 jun. 2026
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Meus queridos irmãos e irmãs,
O Evangelho de hoje nos fala de um encontro muito bonito, mas que acontece no meio da noite. Nicodemos era um homem importante, um estudioso, um mestre que conhecia muito bem as leis. Mas ele vai procurar Jesus no escuro. Essa noite de Nicodemos representa aquela escuridão que todos nós sentimos na alma quando tentamos resolver os problemas da vida contando apenas com a nossa cabeça, com as nossas próprias forças.
Nicodemos chega elogiando Jesus, dizendo: "Sabemos que és um mestre vindo de Deus". Ele queria debater, queria entender tudo com a lógica humana. Mas Jesus interrompe aquele discurso intelectual e diz algo que mexe com o coração dele: "Quem não nascer de novo, quem não nascer do Alto, não pode ver o Reino de Deus".
Nicodemos fica confuso e faz uma pergunta muito simples, com a lógica da carne: "Como pode um homem nascer de novo, sendo velho? Pode entrar outra vez no ventre de sua mãe?".
Irmãos, essa dúvida de Nicodemos também é a nossa. Mudar o nosso jeito de pensar e de agir é difícil, muitas vezes dói. Nós nos acostumamos com os nossos velhos hábitos, mesmo quando eles nos fazem mal. Preferimos continuar repetindo os mesmos erros, os mesmos "sintomas" de teimosia, orgulho e egoísmo, porque temos medo de desapegar daquilo que achamos que controlamos.
A nossa liturgia, com uma poesia profunda, nos avisa sobre o banquete que Deus preparou para nos curar. Nós cantamos antes da comunhão: “A Sabedoria construiu sua casa, levantou suas sete colunas, imolou suas vítimas, misturou o seu vinho e preparou sua mesa.”
Vejam que imagem maravilhosa! Deus preparou uma casa firme e uma mesa farta para nós. Mas, para entrar nessa casa e sentar-se à mesa da Sabedoria, nós precisamos deixar do lado de fora o nosso orgulho e as nossas velhas desculpas. A Sabedoria de Deus não é o estudo dos livros; é um abraço do Espírito Santo que transforma o nosso interior.
Nascer do Alto significa ganhar olhos novos para enxergar e, principalmente, ouvidos atentos para escutar o nosso próprio coração. Às vezes, passamos a vida inteira fugindo de nós mesmos, engolindo nossas dores, escondendo nossos defeitos e fingindo que está tudo bem. Ficamos surdos para a nossa alma.
Quando Jesus nos pede para nascer de novo, Ele está fazendo um convite para fazermos as pazes com a nossa vida interior. É olhar para dentro de nós com honestidade, acolher as nossas fraquezas e permitir que o Espírito Santo reorganize a nossa mente. Isso é a verdadeira metanoia: uma mudança profunda no nosso jeito de pensar, de sentir e de desejar.
O nosso querido Bispo São João de Saint-Denis (Eugraph Kovalevsky) sempre ensinava que a Liturgia não pode ser algo que acontece só dentro das paredes da igreja. Ela tem que descer da cabeça para o coração. Quando o nosso coração é tocado e transformado pelo amor de Deus, a nossa vida ganha um rumo novo.
E esse nascimento precisa virar ação concreta. Não adianta apenas entender o Evangelho com a mente; é preciso vivê-lo com as mãos. Como o grande Pai da Igreja, Santo Atanásio de Alexandria, explicou com tanta sabedoria: "Deus se fez homem para que o homem se fizesse deus". Esse projeto de Deus para nós, de nos tornar parecidos com Ele, começa no nosso dia a dia.
A construção do Reino de Deus em nossas famílias, em nossa cidade de Manaus e em nossa Fraternidade não é feita com discursos difíceis, mas com passos simples de amor:
É quando uma pessoa que era orgulhosa pede perdão.
É quando em vez de julgar o erro do irmão, nós estendemos a mão para ajudar.
É quando saímos do nosso egoísmo e partilhamos o pão, o tempo e o carinho com os mais necessitados, imitando o exemplo de caridade de São Nicolau.
Ao nos aproximarmos hoje da mesa que a Sabedoria preparou, onde o próprio Cristo se dá a nós, peçamos a graça de nascer de novo. Que o vento do Espírito Santo sopre sobre as nossas vidas, cure os nossos corações e nos dê a coragem de começar uma vida nova, cheia de bondade e amor prático.
Que as orações de Nossa Santíssima Mãe, de São Nicolau de Mira, nosso padroeiro, e de Sã João de Saint-Denis, Deus nos abençoe e nos conceda a graça de nascermos do Alto.
A Ele o louvor, a honra, a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amém.

ORAÇÃO
(Immolatio, da Divina Liturgia Galicana. Próprio do Tempo de Pentecostes)
É verdadeiramente digno e justo,
equitativo e salutar dar-Vos graças em todo o tempo e em todo o lugar,
Senhor Santo, Pai todo-poderoso, Deus eterno.
Com o vosso Filho único e o vosso Espírito Santo sois um só Deus,
sois um só Senhor, não na solidão de uma só pessoa,
mas na Trindade de uma só substância.
O que nos revelaste da tua glória,
nós cremos sem qualquer distinção ou diferença,
tanto do teu Filho como do Santo Espírito.
Assim, ao confessar a divindade eterna e verdadeira,
adoramos num só e mesmo movimento Pessoas distintas,
uma só natureza e igual majestade.
Pois Vós sois louvado pelos anjos e arcanjos,
pelos querubins e serafins, que não cessam de cantar a uma só voz:
Santo, Santo, Santo, Senhor,
Deus do universo!
O céu e a terra proclamam a tua glória.
Hosana nas alturas!
Bendito o que vem em nome do Senhor!
Hosana nas alturas!





Comentários