4º Domingo depois de Pentecostes
- Fraternidade São Nicolau

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Atualizado: há 15 horas
A fé recuperada
PRÆLEGENDUM (Sl. 28, 1.9; 119, 66)
A ti, ó Senhor, eu suplico, Rocha minha,
não deixes de ouvir o meu clamor.
Salva o teu povo e abençoa a tua herança!
Apascenta-os como seu pastor e conduze-os para sempre.
Ensina-me o bom senso e o conhecimento,
pois confio em teus mandamentos.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,
Como era no princípio, agora e sempre,
e pelos séculos dos séculos. Amém.
EVANGELHO de Jesus Cristo, segundo São Marcos 9, 14-29
Naqueles dias, chegando junto dos seus discípulos, Jesus viu uma grande multidão em volta deles, e os escribas disputando com eles.
E logo toda aquela multidão surpreendida ao ver Jesus, correu para o saudar.
Perguntou-lhes: "Que estais disputando entre vós?"
Um de entre a multidão respondeu-lhe: "Mestre, eu trouxe-te meu filho que está possesso de um espirito mudo, o qual, onde quer que se apodere dele, o lança por terra, e o menino espuma, range com os dentes, e fica entorpecido. Roguei a teus discípulos que o expelissem, e não puderam."
Jesus respondeu-lhes: "Ó geração incrédula! Até quando hei-de estar convosco? Até quando vos hei-de suportar? Trazei-mo cá."
Levaram-lho. Tendo visto Jesus, imediatamente o espírito o agitou com violência, e, caído por terra, revolvia-se espumando.
Jesus perguntou ao pai dele: "Há quanto tempo lhe sucede isto?" Ele respondeu: "Desde a infância.
O demônio tem-no lançado muitas vezes no fogo e na água, para o matar; porém tu, se podes alguma coisa, vale-nos, tem compaixão de nós."
Jesus disse-lhe: "Se podes... tudo é possível ao que crê."
Imediatamente o pai do menino exclamou; "Eu creio! Auxilia a minha falta de fé."
Jesus, vendo aumentar a multidão, ameaçou o espírito imundo, dizendo-lhe: "Espírito mudo e surdo, eu te mando; sai desse menino, e não tornes a entrar nele!"
Então, dando gritos e agitando-o com violência, saiu dele, e o menino ficou como morto, de sorte que muitos diziam: "Está morto."
Porém Jesus, tomando-o pela mão, levantou-o, e ele ergueu-se.
Depois que entrou em casa, seus discípulos perguntaram-lhe particularmente: "Porque o não pudemos nós expelir?"
Respondeu-lhes: "Esta casta de demônios não se pode expelir, senão mediante a oração e o jejum."

HOMILIA
para o 4º Domingo de Pentecostes
Padre Renato Souza, Fraternidade Ortodoxa São Nicolau
21 junho 2026 - Manaus/AM.
Irmãos e irmãs em Cristo,
Hoje, hoje somos chamados a comtemplar um milagre de Jesus, um exorcismo. Alguns biblistas mais críticos dizem que se trata, na verdade de uma cura, pois, pela descrição que vemos no texto, se trataria de um quadro de epilepsia. Contudo, o que chama a atenção é o fato de que os discípulos, ainda que estivessem caminhando com Jesus e ouvindo diretamente as palavras que saiam de sua boca, e fossem enviados por Ele próprio, não conseguiram curar aquele menino, ou não conseguiram ter êxito no exorcismo.
Chama a atenção, porque alguns desses discípulos eram os Santos Apóstolos e esses tampouco conseguiram ajudar aquela alma atormentada. Jesus explica tudo ao final: “Essa espécie [de mal/demônio] não pode sair de jeito nenhum, a não ser pela oração”. Será que eles não rezavam? Será que o simples fato de estar constantemente com Jesus, não garante fé o suficiente para realizar milagres?
Pelo visto não! Estar na igreja, na comunidade, receber os santos mistérios, frequentar assiduamente a Divina Liturgia, para nós hoje, não garante estar em comunhão com Cristo, ou realizar sua vontade. A presença do mal no mundo, que aflige famílias inteiras, como a família que vai ao encontro de jesus nesse episódio, parece não se intimidar com cristãos padrões, isto é, com a aqueles que minimamente cumprem com seus preceitos, isso já é esperado.
Na Carta aos Efésios, que ouvimos na segunda leitura de hoje, o bem-aventurado São Paulo nos apresenta uma relação de elementos para esse “combate” contra o mau e contra os poderes infernais: a armadura de Deus, o cinturão da verdade, a couraça da justiça, a prontidão para o evangelho da paz, o escudo da fé... dentre outros... Pelo visto, para São Paulo, não é estar simplesmente, ou de forma passiva dentro da Igreja, ou da comunidade, mas testemunhar com atos aquilo que se professa com a boca.
O Apóstolo nos lembra também outra dura realidade: “... os espíritos do mal que se acham nas religiões celestiais” (cf. Ef 6,12b), ou seja, o mau, a tentação, nossos próprios orgulhos e demônios pessoais podem (e estão) conosco, mesmo dentro da Igreja. E É um grande combate vencer o mal que, não poucas vezes está dentro de nós.
Este combate, travado por Jesus e seus primeiros discípulos e figurado pelo Apóstolo Paulo em sua carta, exige verdadeira mudança interior. Talvez por isso aqueles alunos de Jesus não conseguiram expulsar o demônio do menino, talvez nem eles, mesmo estando na companhia do Divino Mestre, estariam dispostos a abandonar velhos hábitos, velhos costumes, ou mesmo, ainda não haviam entendido o que realmente deve ser um discípulo de Cristo.
A oração da qual fala Cristo ao final da perícope evangélica, trata-se muito mais de uma intimidade com Deus que que propriamente o cumprimento mecanizado de preceitos ritualísticos e dogmáticos. Essa oração também pode ser o exorcismo de nossas paixões e impulsos desordenados que nos afastam de Deus e estorvam nossa vida cristã. A superação dessas paixões também são a superação do mal em nossos próprios corações e o início de uma verdadeira conversão.
Para combater o mal eficazmente, é fundamental revestir-se dos elementos que ouvimos das palavras de Paulo, mas também e principalmente, buscar a intimidade com Deus, abrindo definitivamente mão dos males que estão dentro de nós mesmos.
Enfim, estar na Igreja é muito diferente de ter intimidade com Deus. O Maligno sabe disso. As práticas religiosas são apenas um aspecto desse relacionamento, o “pontapé inicial”, é fundamental aprofundar-se nessa relação humano-divina. Peçamos ajuda ao Espírito Santo, ao Conselheiro, ao Paráclito para que nos ajude nesse caminho.
Amém!

Foi guiada por essa entrega e pelo desejo de ver sua fé fortalecida que, nesta Divina Liturgia, nossa querida irmã Marta foi admitida à Fé Ortodoxa por meio de sua solene profissão de fé.
Como bem nos recordava São João de Saint-Denis (Eugraph Kovalevsky):
"Não nos convertemos à Ortodoxia, voltamos a ela; através dela voltamos para a casa onde nascemos, para os nossos pais. Aqueles que descobriram a tradição ortodoxa e compartilharam de sua vida podem testemunhar isso; tornar-se ortodoxo não é abandonar a herança de nossos pais, mas reconstituí-la em 'sua forma fundamental'."
Celebrar a entrada da irmã Marta na Ortodoxia não é testemunhar uma ruptura, mas sim o preenchimento de uma promessa; é o retorno à beleza intocada da Igreja dos Apóstolos e dos Santos Padres. É, verdadeiramente, voltar para casa.
Que o Senhor conceda à nossa irmã Marta muitos e benditos anos de vida, guardando-a firmemente na Graça, no Amor e na Tradição que agora a abraça! 🏛️🙏













ORAÇÃO
(da Coleta, da Divina Liturgia Galicana)
Ó Deus, nossa alegre fortaleza, que no tempo de Pentecostes nos revestistes com a armadura luminosa do Vosso Espírito Santo: sustentai e robustecei a nossa fé. Enviai o Espírito Defensor como escudo de nossa esperança, para que, transformando cada dúvida em certeza e cada fraqueza em oração, possamos clamar com júbilo: nós cremos, Senhor, e confiamos no Vosso constante auxílio! Fazei brotar em nossos desertos a água viva da Vossa graça e guiai-nos firmes na Verdade, como herdeiros da Vossa vitória pascal e eterna. Por Jesus Cristo, nosso Senhor, Vosso Filho, que vive e reina convosco, na unidade do Espírito Santo, pelos séculos dos séculos.
Amém.




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