5º Domingo depois de Pentecostes
- Fraternidade São Nicolau

- 28 de jun.
- 4 min de leitura
Eu e o Pai somos um
PRÆLEGENDUM (Jo. 10, 27-30; Sl. 94/95)
O Senhor nos reuniu, somos as ovelhas de sua mão:
guardados pelo Filho e protegidos pelo Pai, que são um.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,
Como era no princípio, agora e sempre,
e pelos séculos dos séculos. Amém.
EVANGELHO de Jesus Cristo segundo São João 10, 23-30
Era inverno, e em Jerusalém estavam comemorando a Festa da Dedicação. Jesus estava andando pelo pátio do Templo, perto da entrada chamada “Alpendre de Salomão”. Então o povo se ajuntou em volta dele e perguntou:
— Até quando você vai nos deixar na dúvida? Diga com franqueza: você é ou não é o Messias?
Jesus respondeu:
— Eu já disse, mas vocês não acreditaram. As obras que eu faço pelo poder do nome do meu Pai falam a favor de mim, mas vocês não creem porque não são minhas ovelhas. As minhas ovelhas escutam a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. 28 Eu lhes dou a vida eterna, e por isso elas nunca morrerão. Ninguém poderá arrancá-las da minha mão. O poder que o Pai me deu é maior do que tudo, e ninguém pode arrancá-las da mão dele. Eu e o Pai somos um.
Glória à Ti, Senhor! Glória à Ti!

HOMILIA
Mons. Jonas, exarca para o Brasil
Manaus, 28 jun. 2026
Queridos irmãos e irmãs, a liturgia deste 5º Domingo após Pentecostes nos convida a mergulhar em um mistério profundo, mas muito prático para os nossos dias: o mistério da unidade e do pertencimento. Quando Jesus declara no Evangelho, “Eu e o Pai somos um” (Jo 10, 30), Ele não está apenas enunciando um dogma teológico abstrato; Ele está revelando a estrutura da realidade em que fomos inseridos pelo Batismo.
Moisés nos recorda no Deuteronômio que não fomos escolhidos por sermos os maiores, os mais fortes ou os mais perfeitos, mas simplesmente porque o Senhor nos ama e mantém a Sua promessa (Dt 7, 7-8). E o Apóstolo Paulo, na carta aos Colossenses, eleva o nosso olhar para o Cristo Cósmico, Aquele em quem "todas as coisas são preservadas, sustentadas" e por quem Deus quis "reconciliar consigo todas as coisas" (Cl 1, 17.20).
Como viver essa unidade cósmica e essa proteção da Santa Presença em meio ao ritmo acelerado, corrido e muitas vezes exaustivo da vida moderna?
Para nos iluminar, vamos recorrer ao pensamento de São Jean de Saint-Denis (Eugraph Kovalevsky), nosso santo bispo. Ele costumava ensinar que a santidade e a caminhada espiritual não consistem em fugir do mundo ou rejeitar a cultura em que vivemos, mas em descobrir a presença oculta de Cristo no coração da nossa realidade concreta. Para São Jean, o altar da igreja e o cotidiano da vida estão interligados. A nossa jornada diária, com os seus plantões, escritórios, salas de aula e cuidados familiares, é o laboratório da nossa divinização (theosis).
Os antigos Padres do Deserto já sabiam disso quando nos ensinaram o segredo da hesychia: a quietude interior. Santo Antão e os anciãos do deserto não encontraram a paz porque o deserto era silencioso, mas porque aprenderam a silenciar os ruídos do próprio coração para estar na Presença e escutar a voz do Divino Pastor. Na correria da vida moderna, cercada por notificações, e-mails, prazos e preocupações com o futuro, o ensinamento dos Padres se torna um farol de esperança: nós não precisamos de isolamento geográfico para encontrar Deus; precisamos de um "deserto interior", um espaço de quietude onde possamos ouvir a promessa de Jesus: "As minhas ovelhas escutam a minha voz... e ninguém as arrebatará da minha mão" (Jo 10, 27-28).
Essa é a boa-nova! A caminhada espiritual não é um peso a mais na sua rotina já tão carregada (ou, não deveria ser). Ela é, na verdade, o sustento que torna a rotina leve. Estar nas mãos de Cristo é saber que, quer você esteja encerrando uma semana de trabalho exaustiva, quer esteja iniciando uma nova jornada, a sua vida está guardada no mesmo amor que une o Filho ao Pai.
Como dissemos no Salmo 94,7: "nós somos o seu povo e seu rebanho, as ovelhas que conduz com sua mão". Portanto, irmãos, caminhemos com alegria e confiança! Não fomos feitos para a dispersão ou para o esgotamento, mas para a unidade, para a confiança: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei" (Mt 11,28).
Que o sopro do Espírito Santo vivifique as nossas atividades diárias, transformando cada pequeno gesto de amor e de trabalho em um reflexo daquela unidade perfeita que Cristo vive com o Pai. Que a certeza de pertencer ao Bom Pastor traga paz ao nosso coração e renove as nossas forças para a semana que se inicia.
A Ele seja o louvor, a honra e a glória pelos séculos dos séculos! Amém.

ORAÇÃO DA COLETA
Deus Todo-Poderoso e Pai de Misericórdia,
que por amor nos escolhestes como Vosso povo santo e ovelhas de Vossa mão, concedei-nos a graça de escutar sempre a voz do Vosso Filho Jesus.
Firmados no Vosso Espírito e reconciliados em Sua cruz,
guardai-nos unidos no Vosso amor eterno, para que, permanecendo seguros em Vossas mãos, testemunhemos ao mundo que Vós e o Filho sois um.
Por Jesus Cristo, Vosso Filho, nosso Senhor, que vive e reina convosco,
na unidade do Espírito Santo, pelos séculos dos séculos.
Amém.





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